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Por motivo de se não ter, senão annos antes, feito o achado d'esta nascente, não falla d'ellas o Aquilegio medicinal, por FONSECA HENRIQUES, que fôra publicado em 1727.

Em 1763 referia-se a estas aguas o R.do ANTONIO MARTINS BELESA, abbade de S. Fins de Gominhães (1), considerando-as como «boas para achaques procedidos de intemperanças cálidas, como são flatos hypocondriacos, e outros d'esta qualidade».

O dr. FRANCISCO TAVARES, em 1810, classifica-as de sulfureas hepatisadas (2), que hoje chamamos sulfhydricadas :— «Debaixo de hum durissimo rochedo, diz elle, em hum monte sobranceiro ao Rio Tamega, proximo á Villa de Canavezes, cinco leguas para o Nascente de Guimarães, donde he comarca, e Bispado do Porto, nasce uma agua thermal, crystallina, em cuja superficie apparecem huns ligeiros floccos semelhantes a saponaceos, estalando ameudadas bolhas aereas mais ou menos volumosas, que sobem do fundo da nascente. O seu cheiro e mais qualidades sensiveis a classificão nas aguas mineraes sulfureas hepatisadas, sem exclusão de sulfatos e outras substancias que tenhão de mistura. O seu calor he de 92 graus a 94 ou 95 de F. (33o,33 a 34°,44 ou 35o C.) ou de 27 a 28 R. Nota-se, que estando a atmosphera em grande calor, sente-se o banho ao entrar alguma coisa mais fresco, principalmente sendo de tarde, ou á noite: mas esta sensação muí prontamente se dissipa, e pode sem incommodo e mesmo com satisfação estar qualquer no banho largo tempo».

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D'estas aguas, diz o já citado DR. JOSÉ AUGUSTO VIEIRA (3): «Emergem as nascentes em terreno plutonico, e são as aguas sulphureas tepidas, havendo actualmente em serviço dois banhos ou piscinas, que servem para toda gente. Ha uma fonte para uso interno. As aguas são bastante concorridas por gente do concelho, apezar das poucas commodi

(1) BELESA (M. R. ANTONIO MARTINS), Methodo pratico para se tomarem os banhos das Caldas do Gerez e de outras quaesquer Caldas do Reino, etc. Porto, 1773, pag. 36.

(2) FRANCISCO TAVARES, Instrucções e cautelas praticas sobre a natureza, differentes especies, virtudes em geral, e uso legitimo das aguas mineraes, principalmente de Caldas; com a noticia d'aquellas que são conhecidas em cada uma das Provincias do Reino de Portugal, e o methodo de preparar as aguas artificiaes, parte 1. Coimbra, 1810, pag. 46. (3) VIEIRA (JOSÉ AUGUSTO), Ó Minho Pittoresco. Lisboa, 1887, tom. II, pag. 482.

dades que ahi se encontram. Dão excellentes resultados nas molestias de pelle, rheumatismos e catarrhos chronicos. Recentemente estão melhorando as condições das thermas..

O DR. BENEVIDES, em 1843, refere-se a estas aguas, cuja thermalidades extracta do livro de TAVARES (1).

O conhecido formulario de CHERNOVIZ (2) reproduz sobre ellas a noticia do livro de CoSTA FELIX (3) e do DR. LOPES (4), e dá á agua a classificação de sulfurea gazosa e a temperatura de 35o C., e diz que «é usada em banhos pela gente povo no tratamento do rheumatismo».

do

Em 1894 realizei, a pedido do actual proprietario das Caldas de Canavezes, o sr. Antonio Machado, um primeiro reconhecimento analytico d'estas aguas, que foi publicado na Medicina Moderna (5), e segundo o qual a nascente era classificada provisoriamente de mesothermal, hyposalina, sulfurea sodica, alcalina e lithinica. A agua, como já tinham notado os antigos observadores, não era silenciosa; mas emittia quasi constantemente, com intervallos irregulares, abundantes bolhas gazosas.

I

Jazigo, situação topographica, disposição das nascentes, etc.

Brotam estas aguas numa rocha granitica muito dura, na quinta das Caldas, pertencente á freguesia de Santa Maria de Sobre Tamega, a meio de uma ingreme encosta sobranceira ao Rio Tamega, e na margem direita d'este, um pouco a juzante da confluencia do Rio Odres.

(1) Benevides (ANTONIO ALBINO DA FONSECA), Memoria sobre o uso das nossas aguas mineraes sulphurosas nas molestias cutaneas. Lisboa, 1843, pag. 7.

(2) CHERNOVIZ (Pedro Luiz NAPOLEÃO), Formulario e guia medico, contendo a descripção dos medicamentos, etc., 16.a edição. Paris, 1897, pag. 1233.

(3) COSTA FELIX (FRANCISCO), As aguas minero-medicinaes em geral, e de Portugal em particular. Lisboa, 1877, pag. 103-104.

(4) LOPES (ALFREDO LUIZ), Aguas minero-medicinaes de Portugal. Lisboa, 1892, pag. 189.

(5) FERREIRA DA SILVA, Aguas mineraes de Canavezes, in Medicina Moderna, de julho de 1895, pag. 153.

Distam 2 km. a N. O. do Marco de Canavezes, 10,5 km. a L. de Penafiel, 10:200 km. a S. S. O. de Amarante, e 30 km. de Guimarães.

A estação do caminho de ferro mais proxima é a da Livração, na linha ferrea do Douro.

A nascente aproveitada para os banhos é coberta. Fóra da casa que a abriga, e não longe da porta de entrada para esta, existe uma pequena fonte, tambem de agua mineral, designada pelo nome de Bica do Banho, que é aproveitada especialmente como bebida para o tratamento de molestias do estomago.

Não tem o local largos horizontes, mas é pittoresco e salubre. O Tamega, que serpeia no fundo e estreito valle adjacente ás aguas mineraes; a abundante vegetação nos montados e nos campos; as duas pontes, uma, a montante da nascente, que serve a linha ferrea do Douro, cuja construcção tem apenas alguns annos, e a outra, a juzante, que dizem ser do tempo dos romanos, e que é uma solidissima e bella obra de cantaria, ainda hoje muito bem conservada, não obstante datar de tão longa data;-tudo isto, e a tranquilidade do local são elementos apreciaveis nesta estação thermal.

Até 1901 não existiam senão os rendimentos de balneario; desde então para cá o seu proprietario tem procurado montar devidamente um estabelecimento balneo-therapico, que a estas horas se acha já bastante adeantado.

A colheita da agua para esta analyse foi feita no dia 8 de dezembro de 1901, pela meia hora depois do meio dia.

A pressão atmospherica era então de 750,5 mm.; a temperatura do ar á sombra 11° C., e a temperatura da agua 33° a 33°, 1 C.

A agua não é silenciosa; emitte de quando em quando, e com intervallos irregulares, bolhas gazosas.

Colhida recentemente para uma proveta, emitte finissimas bolhas de gaz, que ficam em parte adherentes á superficie interna da proveta.

O sabor é pronunciadamente sulfhydrico, e um tanto hepatico.

E' perfeitamente clara, incolor e transparente.

Uma moeda de prata fica acastanhada pelo contacto com esta agua.

VOL. 50.o, N.o 12 — DEZEMBRO DE 1903.

4

II

Analyse qualitativa

Os reagentes comportaram-se com a agua mineral de Canavezes, como se vai indicar:

Acetato de chumbo. O papel a acetato de chumbo começou a ficar pardo depois de 30"; passados alguns minutos estava pardo-acastanhado, principalmente nos bordos.

O soluto saturado de acetato de chumbo, acastanhou logo a agua; no fim de algumas horas formou-se precipitado em floccos negros no fundo da proveta, ficando o liquido opalino e pardo.

O plumbito de soda, deu coloração pardo-acastanhada muito pronunciada.

Para-amidodimethylanilina. — A 100 c. de agua juntaram-se 2 c.3 de acido chlorhydrico fumante, depois alguns crystaes de para-amidodimethylanilina, e, depois que estes se dissolveram, addicionaram-se 20 a 30 gottas de perchloreto de ferro muito diluido; observou-se a producção de uma côr vermelha.

Nitroprussiato de sodio (reagente de PLAYFAIR). — Operando sobre 500 c.3 de agua e juntando 10 gottas de nitroprussiato a 1/10, obtém-se a seguinte série de colorações: verde-agua immediato; azulado (20"); azul; depois violete; depois esverdeado (3'); depois, aos 5', verde-agua; esta coloração conservou-se bastante tempo, até que passou a amarellado.

Forçando a proporção de reagente, isto é, empregando 5 c.3 em vez de 10 gottas, as colorações obtidas são: violete immediato, mudando rapidamente, no fim de 1',30", para amarello esverdeado; depois para azul nitido, depois violaceo. Todas estas transições são rapidas.

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Nitroprussiato de sodio e alcali.- Empregando a mesma porção de agua e alcalinisando-a com 10 c.3 de soda caustica obtem-se, addicionando 10 c.3 do reagente, uma coloração purpurina immediata, passando pouco depois a vio

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lete; depois vermelho-violaceo sujo, ficando no fim de alguns minutos amarello-acastanhada.

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Forçando a proporção de alcali, isto é, empregando 20 c.3 de soda e a mesma porção de reagente, notou-se mudança rapida de purpurina a violete, depois vermelha, finalmente acastanhada.

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Hydrato de chloral. - Juntando á agua 1/100 do seu volume de hydrato de chloral, apparece uma coloração rosea, passando a amarello tostado.

Tartaro emetico. - 500 c.3 de agua addicionados de 20 c.3 de tartaro emetico, tomaram coloração amarello-alambreada, muito nitida.

Acido arsenioso.- Com 500 c.3 de agua e 5 c.3 de acido arsenioso, turvação amarellada immediata. No fim de 3 horas, não ha precipitado.

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Sulfato de manganesio. O soluto saturado de sulfato de manganesio (5 c.3) addicionado á agua (500 c.3) turvou quasi immediatamente. No fim de 3 horas não ha precipitado; o liquido fica opalescente.

Reagente de NESSLER.Com 500 c.3 de agua addicionadas de 5 c.3 de reagente de NESSLER, obtém-se côr acastanhada immediata.

Sulfato de diphenylamina. -- Empregado este reagente nas condições preceituadas para reconhecer a presença dos nitratos, foram as suas indicações completamente negativas.

Azotato de prata. - Juntando a 500 c.3 de agua 20 c.3 de azotato de prata a 10/100, manifestou-se precipitado pardo acastanhado. Juntando acido azotico, a côr negra desapparece em grande parte, e fica no fundo do tubo um sedimento negro; por ebullição essa côr negra desapparece, ficando um pó amarellado (muito ao de leve) e turvação branca, desapparecendo pela ammonia.

Azotato de prata ammoniacal.—Coloração e precipitado pardo, não negro.

Acido chlorhydrico. - A quente e por agitação, desenvol

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