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Apesar d'este illustre philosopho do norte admittir ainda outras semelhanças além das que indiquei e mais intimas do que essas primeiras, não foi este auctor quem mais exagerou a these d'esta doutrina. Os sociologos que levantaram o problema de dar á nascente sciencia da sociologia um methodo, que lhe dê direito a entrar no quadro das sciencias positivas, foram os que levaram esta theoria a sustentar uma quasi identidade, entre sociedades e organismos; foram principalmente Lilienfeld, Nowicow, Schäffle e Réné Worms.

Nowicow affirma muito claramente: ligando-se os phenomenos sociaes aos phenomenos biologicos; mostrando que não ha hiatos na natureza; a theoria organica vem supprimir o milagre... e acceitando a necessidade do determinismo, só ella torna possivel a constituição da sociologia como sciencia positiva (1). E não menos claramente sustenta tambem Lilienfeld ser esta theoria condição sine qua non para a sociologia se elevar a sciencia positiva (2).

Schäffle é um dos escriptores que mais aperfeiçoaram esta doutrina. Para elle as sociedades constituem um reino á parte, o superorganico, que teve por antecedentes o reino inorganico (sidéreo) e o organico; o corpo social é, pois, o grau mais alto de ascensão de todas as manifestações do mundo (3). Em seguida, querendo pôr mais em evidencia a analogia que esta eschola estabelece, passa elle a mostrar como o organismosociedade possue cellulas, tecidos, ossos, nervos e musculos, como tem funcções de conservação e de reproducção; emfim como é um organismo real.

Réné Worms não vae menos longe. Basta passar em revista as epigraphes dos capitulos da sua obra (4), para que se tenha como que a sensação de ter elle pretendido fazer da sociologia uma parte vasta e larga da biologia. As semelhanças que lhe dão direito a estabelecer e proclamar esta intima analogia podem ser assim classificadas:

I. As sociedades apresentam uma anatomia semelhante á dos organismos; têm segmentos, tecidos e orgãos.

II. As sociedades têm uma physiologia analoga á dos organismos; têm funcções de nutrição, de relação e de reproducção. III. As sociedades têm egual genese e egual evolução.

(1) Nowicow, Conscience et Volonté sociales, pag. 7.

(2) P. Lilienfeld, La méthode d'induction ou méthode organique appliquée à l'étude des phénoménes sociaux, tom. 1, pag. 45. (3) Schäffle, Bau und Struktur des socialen Körpers. (4) Réné Worms, Organisme et Société.

Muito interessante principalmente por causa da fórmula a que chegou, é o modo de expôr de Adolphe Coste. Principia este escriptor por declarar que, para se ter uma noção justa da constituição das sociedades, é necessario considerar toda a nação como um ser organizado, sujeito a leis sociologicas, que correspondem, pouco mais ou menos, ás leis physiologicas no animal. Em seguida, do mesmo modo que Claude Bernard mostrou que o corpo humano é um composto de myriades de infusorios, assim, tambem diz Coste, o sociologo mostra que o corpo social se compõe de myriades de individuos; a vida e a evolução dos infusorios elementos do organismo humano conduzem a essa vasta resultante, a que se chama vida; e a vida e a evolução dos individuos elementos do organismo social levam a uma outra vasta resultante, que se chama civilização. E assim condensa Coste a sua theoria na seguinte fórmula: nós somos os infusorios do gigante social (1).

Com estes resumos que tenho feito dos differentes modos de pensar de alguns adeptos d'esta corrente, julgo ter apresentado dados sufficientes para que se possa fazer idéa da fórma porque tem evolucionado a theoria organica das sociedades.

3.

Vejamos agora o valor que tem de ser reconhecido a esta corrente de idéas.

Primeiro frisemos que, apesar de todos os seus partidarios declararem que não querem confundir inteiramente as duas especies de entidades sociedades e organismos; não ha nenhum que, mais ou menos conscientemente, o não faça, e ao faze-lo, chegam a erigir taes semelhanças e taes analogias que, apesar do grande talento que nelles reconhecemos, não podemos evitar de taxá-las de ridiculas.

Na verdade nenhuma das analogias, cujo conjuncto constitue a base d'esta theoria, é real, todas são mais ou menos visivelmente apparentes e arbitrarias, admissiveis talvez como galas de estylo, mas nem toleraveis como verdades de saber. E d'esta circumstancia resultam, como consequencia logica, as muitas e profundas divergencias, que numa analyse mais demorada nos mostraria como existindo entre os differentes

(1) A. Coste, Nouvel Exposé d'Économie politique et de physiologie

sociale.

partidarios d'esta eschola; o que evidentemente prova a falta de uma base scientifica.

Emquanto à influencia que esta theoria exerce no methodo da sociologia, os seus adeptos enganam-se redondamente. Realmente, como bem o mostraram Asturaro e M. A. Vaccaro, poucos methodos dariam á sociologia a tal ponto o caracter de arbitraria, como o faz o methodo organico; que simplesmente consiste em deduzir uma analogia de outra; isto é em presumir que duas classes de objectos (sociedades e organismos), que têm um determinado caracter em commum; tambem devem ter em commum um outro caracter, visivel numa classe, mas impalpavel na outra (1). Será possivel dar maior parte ao arbitrio? E como é que assim os seus adeptos poderiam evitar de cahir em mutuas contradicções?

E emfim terminarei com as seguintes palavras de um escriptor já mencionado: os partidarios da theoria organica dizem, como homens de talento que são, muitas cousas justas; mas diriam muitas mais ainda, se elles não se tivessem revestido com a tunica de Néssus das analogias biologicas (2).

(Continúa.)

ALFREDO PINTO DA CRUZ DA ROCHA PEIXOTO.

(1) Asturaro, La Sociologie, ses méthodes et ses découvertes; e M. Ange Vaccaro, Les bases sociologiques du Droit et de l'État, trad. de Gaure, pagg. xxxv e xxxvI.

(2) M. Ange Vaccaro, Les bases sociologiques, du Droit et de l'État, trad. de Gaure, pag. xxxvII.

SCIENCIAS PHYSICO-MATHEMATICAS

OS PHENOMENOS E AS DISPOSIÇÕES EXPERIMENTAES
DA TELEGRAPHIA SEM FIO

(Cont. do n.o 11, pag. 680)

Sabe-se a influencia que tem na resonancia multipla o amortecimento das ondas emittidas. Não admira, pois, que Marconi tentasse vencer a difficuldade diminuindo-o.

A disposição adoptada por Marconi, inicialmente devida a Braun (1900), supprime o oscillador aberto, em que a vibração é directamente produzida pela faisca, e usa de um oscillador fechado: aos polos da bobina de inducção está ligado um circuito de descarga (com um condensador de grande capacidade), do qual faz parte o primario de uma bobina cujo secundario se encontra ligado á antenna e á terra. Desta sorte, as oscillações são muito menos amortecidas, não só em virtude do condensador, mas tambem porque agora a faisca, principal causa do amortecimento na disposição primitiva, deixa de saltar antes que as oscillações cessem no circuito; ora são estas oscillações que excitam por inducção a antenna transmissora.

A experiencia directa mostrou, com effeito, que o amortecimento era tres a quatro vezes menor, e que a resonancia attingia uma grande intensidade.

Infelizmente não se pode dizer que triumphasse da difficuldade, porquanto a acção selectiva sobre as ondas recebidas é muito pequena.

O effeito real da nova disposição é augmentar o alcance para os receptores em accorde e diminui-lo para os outros. Além disso, graças á capacidade do condensador, é possivel empregar na emissão uma quantidade de energia muito maior que na disposição primitiva, e augmentar assim o alcance absoluto.

Slaby imaginou um processo diverso. Graças ás bobinas Se Z (fig. 14) póde telegraphar-se com differentes comprimentos de onda.

E por meio das bobinas Z e V (fig. 15) póde estabelecer-se o accorde com o transmissor. Todavia, é certo que a resonancia permanece imperfeita, e a selecção das ondas pelo receptor muito restricta.

9. Ultimos resultados. O que se pretende da telegraphia sem fio. Além dos systemas de Marconi e do professor Slaby, a que nos referimos, muitos outros teem apparecido, e a cada passo as revistas scientificas dão noticia de novas disposições.

Como apenas tivemos em vista dar uma ideia geral dos phenomenos que intervem no novo processo telegraphico, as referencias feitas aos dois systemas, que primeiro attingiram uma relativa perfeição, é mais do que sufficiente. De resto, desviar-nos-iamos inutilmente do nosso plano, se nos detivessemos em minucias technicas sobre outros systemas que, além de não se distinguirem por principio algum novo, nem sempre primam pela originalidade.

Os ultimos esforços dos inventores teem tido em mira não só a transmissão syntonica de maneira a assegurar o segredo das communicações, mas ainda a transmissão a grande distancia, e bem assim a rapidez na transmissão dos despachos.

O problema da segurança dos despachos, a que nos referimos em o n.° anterior, continúa sem solução. Apezar das affirmações dos inventores, não ha um unico systema que a prática não tenha desmentido; e as tentativas feitas estão longe de ser animadoras. Não basta demonstrar, como mais duma vez se tem feito, que dois despachos podem ser transmittidos ou recebidos ao mesmo tempo pela mesma installação, sem interferencia; é esse um resultado importante, sem dúvida, mas para resolver o problema é essencial que o receptor só seja sensivel a determinadas ondas; e isso, a syntonização absoluta, é que até hoje se não pôde conseguir.

Acontece com effeito, actualmente, que os postos da costa inglesa e os postos franceses da Mancha registram a cada passo mensagens que não lhes são destinadas.

Uma outra causa (em parte da mesma natureza) contribue a dar ás communicações uma certa insegurança. As antennas muito altas são fortemente influenciadas pela electricidade

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