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lor, principalmente nas peças fixadas pelo alcool, e descalcificadas pelo acido azotico e picrico, e nas fixadas tambem pelo liquido de Erlicki. A córação mais energica que observámos foi nos córtes de um osso fixado pelo alcool e não descalcificado (Ex.: prep. n.o 57). Tecido osseo incolor. Tecido medullar côr de rosa vivo, ou então acastanhado-escuro (peças descalcificadas pelo acido picrico e azotico, prep. n.o 4). Carmim de Grenacher. - É, como diz Boles Lee (1), um E, dos principaes córantes. Fixa a chromatina e as figuras mitosicas, segundo Cajal (2); e, segundo as observações d'este mesmo histologista, deve ser tido como um reagente de primeira ordem para os trabalhos sobre osteogenia. Permitte distinguir a cartilagem do tecido medullar, o osso, e neste ainda mostra a existencia de uma substancia pre-ossea; facilita tambem a observação do nucleo.

Nas peças fixadas pelo alcool e descalcificadas pelo acido picrico e azotico (1.a série), a córação augmenta para a medulla, onde as cellulas tomam uma côr acastanhado-escuro; e as lamellas osseas apresentam-se côr de rosa pallido.

Nas peças fixadas pelo liquido de Zenker (2.a série) a cartilagem córa pouco, excepto na proximidade dos canaes medullares; o tecido osseo é côr de rosa e a medulla vermelhoarroxada.

Nas peças fixadas pelo liquido de Erlicki (4. série), a cartilagem córa de vermelho claro, a medulla de vermelho escuro, e o tecido osseo conserva-se incolor, excepto na proximidade dos canaes (Ex.: prep. n.o 45).

Finalmente, nas peças fixadas pelo alcool, a córação da cartilagem diminue á medida que se caminha para á linha de ossificação, augmentando, porém, abaixo d'esta.

Picro-carmim. Apesar de ser o córante mais empregado e mais corrente, Retterer, diz-nos numa carta que nos escreveu em resposta a uma consulta: «os descalcificantes e os córantes habituaes (sobre tudo o picro-carmim) são desastrados ou insufficientes no estudo da transformação das cellulas cartilagineas».

Suppomos que esta reluctancia de Retterer pelo picro-carmim vem principalmente da existencia do acido picrico, reagente improprio para os estudos da cartilagem transitoria.

(1) Boles Lee, pag. 96.

(2) Elementos de Histologia normal y de tecnica micrografica, Madrid, 1895.

Por nossa parte, o seu maior defeito é o de não dar conta das estructuras delicadas do nucleo, e de córar muito intensamente o tecido medullar, por fórma a mal se distinguir a sua estructura. De resto, prestou-nos serviços, facilitando-nos o reconhecimento do nucleo, nas cellulas da cartilagem, e indicando-nos a direcção dos canaes medullares.

A cartilagem conserva-se quasi incolor, excepto á volta d'estes canaes. O tecido da medulla córa intensissimamente de vermelho; o tecido osseo córa de côr de rosa pallido (Ex.: prep. n.o 3, 12, 19, 22). Os globulos conservam uma côr esverdeada (Ex.: prep. n.o 67).

Este reagente permitte ainda distinguir as zonas calcificadas dos tendões dos flexores das aves. Córa de vermelho as partes calcificadas dos tendões; de amarello o restante.

Azul de anilina. - Córante muito diffuso e pouco usado. Córa a cartilagem e as trabeculas directrizes de violeta, e o tecido medullar de azul ferrete. O tecido osseo conserva-se quasi incolor (Ex.: prep. n.o 38).

Violeta de anilina. - Processo Baumgarten. Bonéval (1) elogia uma córação pelo violeta de anilina, segundo um processo especial, pelo qual se consegue córar a cartilagem hyalina de azul, a cartilagem calcificada de côr de rosa e o osso de vermelho. Esta reacção falhou-nos (Ex.: prep. n.o 11).

Safranina. -Bouma (2), empregando a safranina em solução aquosa a 1/2000, notou que a cartilagem córava de amarello, emquanto que o tecido osseo córava de côr de rosa. Nós, empregando a solução alcoolica a 1/100 de Grübler (3), conseguimos uma reacção differente, mas muito caracteristica.

A cartilagem córa de amarello escuro, o tecido medullar de côr de rosa vivo, e o tecido osseo, em parte, de amarello pallido, quasi incolor, e em parte, nas proximidades dos canaes medullares, de côr de rosa tambem pallido. (Ex.: prep. n.o 25 e 36). Pelo que observámos, temo-lo como um reagente, permittindo o reconhecimento de uma substancia pre

ossea.

Verde de methylo acetico. - Fixador e córante. Córação de

(1) Bonéval, loc. cit., pag. 84.

(2) Bouma, Centralb. f. d. med. Wiss., 1883. pag. 866 e Boles Lee, loc. cit., pag. 404.

(3) Vialleton, Précis de téchnique hisotlogique et embryologique, 1889, pag. 64.

uma electividade incomparavel, infelizmente difficil de conservar. Córa a cartilagem de verde-claro, a medulla de verde muito escuro, e o osso de verde muito pallido. Córação do nucleo muito energica (Ex.: prep. n.o 37).

Fuchsina acida. - Reagente muito aconselhado por Ed. Retterer (1). Magnifico reagente para o reconhecimento do nucleo da cartilagem. A substancia fundamental d'esta conserva-se quasi incolor, excepto nas proximidades dos canaes medullares. As trabeculas calcificadas tomam uma côr de rosa pallida. Globulos tomam côr vermelha (Ex.: prep. n.° 59, 62, 63).

Eosina. Córante energico, muito alteravel pelos acidos. Dá bons resultados quando se não descalcificam as peças, e quando se conservam estas em glycerina neutra. A descóração diminue da cartilagem para o osso.

Condensando os resultados das nossas observações póde fechar-se este capitulo de technica, dizendo:

1. Todas as questões osteogenicas se cifram numa questão de technica histologica;

2.° Os factos que fundamentam a theoria da degenerescencia são, na maior parte, artificios de preparação;

3. No estudo pratico da ossificação, devem preferir-se os córtes feitos em ossos frescos e por descalcificar;

4.o O alcool, o acido picrico, o acido chromico e os outros reagentes, ordinariamente empregados no estudo da osteogenese, alteram o protoplasma e o nucleo, e fazem crer numa falsa degenerescencia da cartilagem;

5. Os liquidos de Zenker e Erlicki, e principalmente as soluções de Retterer, são os fixadores mais recommendaveis. 6. Impugnamos a descalcificação pelo acido picrico;

.o Preferimos a descalcificação pelo acido azotico; 8. Aconselhamos principalmente o emprego da purpurina, do carmim de Grenacher, e da fuchsina acida, no estudo do nucleo das cellulas cartilagineas;

.. Consideramos o carmim de Grenacher como um dos melhores córantes dos ossos embryonarios;

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10. Temos a safranina a 1/100 como um bom meio para provar a existencia de uma substancia pre-ossea.

ANTONIO AURELIO DA COSTA FERREIRA.

(1) Retterer, loc. cit., pag. 508.

LITTERATURA E BELLAS-ARTES

ARTES INDUSTRIAES E INDUSTRIAS PORTUGUEZAS

(Cont. do n.o 4, pag. 241)

XVII

MAXIMO DE PINA (1595)

Apesar de fidalgo, era muito emprehendedor e industrioso. No meu opusculo sobre Inventores Portuguezes ficou registado o seu nome, publicando ahi tres cartas de privilegio para diversos engenhos seus. Em 16 de setembro de 1595 foi-lhe concedida carta de privilegio para o estabelecimento de um forno de vidro na sua quinta da Matreina, termo da villa da Asseiceira, margens do Nabão. Por este privilegio ninguem podia estabelecer outros fornos dez leguas em redor. Exceptuava-se, porém, a villa de Salvaterra, onde os havia já feitos. Em outras cartas, Maximo de Pina vem accrescentado com o appellido Marrecos.

«Dom Felipe &. Faço saber aos que esta minha carta virem que Maximo de Pina, fidalgo de minha casa, me euiou pedir per sua petiçam lhe cócedesse que na sua quinta de Matreina que estaua no termo da villa da Aceiceira junto ao rio Nabão podesse fazer hum forno de vidro e que dez legoas ao redor delle e da dita quinta não ouuesse mais fornos de vidro e antes de em outra maneira se lhe defirir mādei acerca disso fazer diligencia pelo bacharel Francisco de lemdrobe, corregedor da comarca da villa de Thomar e que ouuisse os officiaes da camara da dita villa da Aceiceira, ao que o dito corregedor satisfez e me euiou sua informação e parecer, com reposta dos ditos officiaes da camara e visto por mym e seu consentimeto e como pela dita informação constou ser muito acomodado o lugar da dita quinta para o dito forno de vidro com declaração que a lenha que nelle se gastar seja dos seus proprios matos e tenha sempre vidros con abastança para vēder ás pesoas que delles tiuerem

necessidade e lhos quiserem comprar e asi ey por bem que nenhuũ outra pesoa de qual quer sorte e codição em tempo algum asente nem tenha outros fornos de vidro dez legoas ao redor do dito forno e quinta sem minha especial licença em quanto o dito Maximo de Pina o teuer e laurar com elle, e posto que o dito forno não laure hum anno te dous tendo o dito Maximo de Pina bastantemēte vidros para vender feitos no seu forno e não em outro, auerá em todo lugar o que por esta carta lhe permito nā mādando eu o contrario, e qual quer pesoa que asetar outros fornos de vidro dez legoas ao redor do dito forno e quinta sem especial prouisão minha correraa em pena de duzentos cruzados para o dito Maximo de Pina e lhe serão derribados os ditos fornos, o que se não êtenderá na villa de Saluaterra, onde ja estão feitos; e mando a todos meus desembargadores, corregedores, ouuidores, justiças, officiaes e pesoas a que esta carta ou o trellado della em publica forma por autoridade de justiça for mostrado e o conhecimento pertencer, que a cumprão goardem e fação com effeito em todo comprir e goardar como nella se cótem, sem duuida nem cótradiçam algua, porque asi he minha merce. E os officiaes da comarca da dita villa da Aceiceira o farão logo asi pregoar nella e notificar para que a todos seja notorio, e dahy em diante se cunprirá asi e executem as ditas penas naquelles que nellas ēcorrerem pela maneira sobredita e no liuro da dita camara se registará esta carta pelo escriuão della que disso e de como foi pregoada e notificada passara aqui sua certidão para se saber que o ouue a si por bem e a propria ficará ao dito Maximo de Pina para sua guarda, que por firmeza de todo lhe mandei dar por mym asinada è sellada com o meu sello pendente. Dada em Lixboa a xbj de septembro - Pero de Seixas a fez -anno do nascimeto de nosso sor Jhu Xpo de jbe Irb (1595)» (1).

XVIII

BENTO ALVARES (1618)

Communica-me o sr. Marques Gomes, de Aveiro, que nos documentos da Misericordia d'aquella cidade apparece por 1618 um Bento Alvares, vidreiro de Coimbra.

Não encerrarei esta lista, em que enumero alguns dos fabricantes de vidro commum, que floresceram em Portugal até aos principios do seculo xvII, sem citar o testemunho de um viajante inglez, que bem nos mostra quanto o fabrico da vidraça e o seu uso nos domicilios particulares era limitadissimo, pois elle observa, nos predios de Lisboa, a falta de janellas, substituidas pelas rotulas, e convida os seus compatriotas a que concorram com este producto á nossa capital, onde obteriam bons ganhos.

(1) Torre do Tombo, Chancellaria de D. Filippe I, Privilegios, liv. 4.o, fl. 94 v.

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