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LITTERATURA E BELLAS-ARTES

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ARTES INDUSTRIAES E INDUSTRIAS PORTUGUEZAS

(Cont. do n.o 2, pag. 108)

XIII

ANTONIO VAZ (1541)

Vidreiro, morador em Santarem. O seu nome apparece incidentalmente n'uma carta de perdão, passada por D. João III, em 8 de abril de 1541, em favor de um seu creado, de nome Antonio, accusado de ter ferido um filho de Joanna Martins.

«Dom Joham &. A todolos corregedores, ouuidores, juizes e justiças, oficiaes e pesoas de meus Reynos e senhorios, a que esta minha carta de perdão for mostrada e o conhecimento della com direito pertencer, saude, façouos saber que Amtonio, criado de Amtonio Vaaz, vydreiro, morador na vila de Samtarem, me eviou dizer per sua petiçã que hua Joana Martinz, molher viuva, querelara dele sopricamte por dizer que ele sop.te ferira na cabeça a huữ seu filho per nome Pedro com hua pedra, pello qual caso se tirara devasa e semdo tyrada se mandou premder ele sop.te, e que hora o dito ferido hera são e sem aleijão da dita feryda sem ter desformidade de rosto e ela dita Joana Miz lhe tynha perdoado segundo ho eu ver poderia per hum estormento de certidão esprito em papell que parecia ser feito e acinado per Gaspar Boralho esprivão do crime da minha cidade de Lixboa aos sete dias do mes de junho da era de bc R anos em o qual era contheudo que a dita Joana Miz may do dito P. ferido perdoar a ele sopricamte e esto como sua totora que hera segundo que todo milhor se comthem no dito estormento e que hora o dito P. hera falecydo averia ora dous anos pouco mais ou menos e averia quatro anos que ho dito caso acomteceu, enviandome ele sop.te pedir por merce que lhe perdoase a minha justiça, se me a ela em allgūa guysa hera, per reza do contheudo e sua petição, theudo e obrigado: e eu vendo o que me ele sopricamte asy dizia e pedia, se asy he como ele sop.te diz e hy mais na ha, e queremdolhe fazer graça e merce, visto per mym hu prazme asynado pello doutor Luis Eanes, do meu conselho e desembarguo e meu desembargador do paço e petições, a quem pera elo tenho

dado meu poder, e queremdolhe fazer graça e merce, tenho por bem e me apraz de lhe perdoar.... Dada na minha cydade de Lixboa aos oyto dias do mes dabrill-elRey ho madou pellos doutores Luis Eanes e P. Vaaz, abos do seu conselho e seus desembargadores do paço e petições Francisco Pimentell a fez per J. L.co Caraqua ano do nacimento de noso Senhor Jhesu Xpo de jbe Rj anos. E eu dito J.o L. o sobsprevy» (1).

XIV

MANUEL RODRIGUES (1551)

Era vidreiro, morador na Ribeira de Santarem. Em 1551 lhe foi confirmado o aforamento de umas casas sobre o açougue da dita Ribeira.

Em 1502 fôra arrematado o ar dos açougues sobre os telhados para edificar casas, sendo emprazado a Vicente Pires carpinteiro, e João Gomes, mestre de carpintaria. As casas de Vicente Pires, passando por diversos possuidores, é que vieram a tocar a Manuel Roiz.

«Dom Joam &. Faço saber a quamtos esta mynha carta daforamento emfatiota deste dia pera todo sempre de huas casas que estam situadas na Ribeira da vyla de Samtarem sobre os asouges da dita Ribeira vyrem que por parte de Manoel Rodriguez vidreiro morador na Ribeira da dita vyla me foy apresemtado huũ estormento daforamento do qual o trelado de verbo a verbo he o seguymte:

«O licenciado Belchior Vieira que por especiall mamdado del Rey noso Senhor tenho cargo de fazer o tombo das cousas da coroa nesta vyla de Samtarem e lugares de sua comarqua faço saber aquamtos esta carta daforamento emfatiota deste dia pera todo sempre de huas casas que estam situadas na Ribeira desta vyla sobre os asouges da dita Ribeira virem que por parte de Manoel Rodriguez vydreiro morador na Ribeira da dita vyla me foy apresemtado huu aluara delRey noso Senhor por sua alteza asynado e pasado por sua chancellaria e bem asy huũ aforamento que das ditas casas foy feyto a Vicemte Pirez e a Joam Gomez por Pero Matela semdo comtador nesta comarqua de Samtarem do quall aluara e carta de emprezamento o trelado de verbo a verbo he o seguinte: Aquamtos esta carta daforamento emfatiota pera sempre virem. Pero Matela caualeiro da casa delRey noso Senhor e seu comtador e arremdador em a comarqua dos almoxarifados desta muy nobre e sempre leall vyla de Samtarem e vyla dAbramtes etc. Faço saber que peramte my apareçeo Aparicio Afomso pregoeiro do concelho e dise e deu sua fee que pasaua de dous meses que per meu mamdado trazia em pregam pela dita vyla de Samtarem e rruas pubrycas dela o ar dos açouges da Ribeira da dita vyla de Samtarem de sob o alpemdere da pimta até o camto da porta trauesa dos ditos açouges pera no ar deles fazer casas quem neles qujsese lamçar o qual ar dos ditos açouges partem de hua

(1) Torre do Tombo, Chancellaria de D. João III, Legitimações e perdões, liv. 11, fl. 55 v.

parte co Joam Pimto e do leuamte co praça da dita Ribeira e do soam partem co Gonçalo Aluarez çapateiro e do poemte com muro dà vyla e co outras cofromtaçoes co que de direito deuem partir e que nam achara quem no ar dos ditos açouges mais lamçase nem major lamco fizese que Viçemte Pirez carpimteiro e Joam Gomez mestre da carpemtarja em a dita vyla de Samtarem que nele lamçarão quynhemtos reaes bramquos desta moeda ora coremte de sejs ceytis o rreall e majs hua gallinha em cada huũ ano emfatiota. E visto por my a fee do dito pregoejro e como outrem majs não daua pelo ar dos ditos açouges o mamdey arrematar aos ditos Vyçemte Pirez e Joam Gomez o qual pregoejro lho logo rrematou pelo dito preço dos ditos quynhemtos reaes e hua gallinha ou vimte reaes por ela em cada huũ ano segumdo se ao diamte declara damdolhe o dito porteiro hua duas tres vezes metemdolhe huũ rramo verde na mão segumdo custume por bem da quall rrematação o dito comtador mostrou a my Lamçarote Froes seprivam dos contos huu aluara delRey noso Senhor per ele asynado do quall o trelado de verbo a verbo he este seguymte....

Pedimdome o dito Manoel Rodriguez por merce que lhe cõfirmase o dito aforamento. E visto por my seu rrequerimento queremdolhe fazer merce tenho por bem e lho cófirmo e ey por cófirmado deste dia pera todo sempre com os ditos duzemtos e cymquoenta reaes e ametade de hua gallinha ou dez reaes por ela de foro em cada huũ ano e mamdo que esta carta se cumpra e goarde asy e da maneira que se nela cótem sem duvida nem embargo alguũ que a elo seja posto por que asy he mynha merce ellRey noso Senhor ho mamdou pelo Barão d'Aluyto vedor de sua fazenda Manoel Tauares a fez em Almeirjm a xxiij de setembro ano do nacymento de noso Senhor Jhesuũ Christo de ¡be ĺj anos» (1).

XV

ALVARO AFFONSO DE ALMADA (1585)

Requereu privilegio para estabelecer um forno de vidro na sua quinta da Barroca d'Alva, termo de Alcochete. A vereação de Lisboa poz impedimentos, baseada na provisão da mesma camara, de abril de 1582, que não permittia que nos logares de Ribatejo nem sete leguas ao redor d'elles, se fizessem fornos de vidro da banda d'além por arderem continuadamente e se gastar a lenha, que fazia falta ao abastecimento da cidade.

Alvaro Affonso de Almada soccorreu-se do poder real, e este mandou de novo informar a camara, a qual não achou inconveniente, visto haver na quinta da Barroca a lenha necessaria para o gasto do forno e não vir d'ali aquelle material

(1) Torre do Tombo, Chancellaria de D. João III, Doações, liv. 56, fl. 15 v. e seguintes.

para Lisboa. Allegara-se tambem, em favor do interessado, o ter fallecido em Alcochete, havia pouco, um mestre de fabricar vidro. A carta de privilegio foi portanto passada a 23 de fevereiro de 1585.

«Ev ElRey faço saber aos que este aluara virem que Aluaro Afonso dAlmada, morador nesta cidade de Lixboa, me enuiou dizer per sua petição que elle tinha hua quintaa sua a que chamão da Barroca dalva, que está da banda dalem no termo da villa dAlcouchete, seis legoas da dita cidade, na qual quintaa lhe era necessario fazer hum forno de vidro, pedindome lhe desse pera isso licença per tempo de tres annos, e antes de se lhe deferir em outra maneira, mandey ao doutor Rui Gago, juiz do ciuel e sindico desta cidade de Lixboa, que em camara com os vereadores e mais officiaes della praticasse o caso e respondesse, ao que o doutor Rui Gago satisfez como lhe por mim foy mandado e de sua reposta constou que per hua prouisão, que na mesma camara esta feita em abril do anno de jbc lxxxij se mandou que nos lugares de Ribatejo nem sete legoas ao redor delles se fizessem fornos de vidro da banda dalem por arderem continuadamente e se gastar muita lenha que era causa de faltar pera prouimento da cidade, pello que pedindo Aluaro Afonso dAlmada licença a camara pera fazer o dito forno de vidro pello dito tempo de tres annos se lhe não deu, e que os vereadores não tinhão que responder mais que com o treslado da dita prouisão e vista a dita reposta do doutor Rui Gago, que deu em nome da cidade, com o sindico della, lhe mandey que tornasse a praticar com os vereadores em camara se seria prejuizo da mesma cidade concedersse ao dito Aluaro Afonso dAlmada licença pera fazer na dita quintaa da Barroca dalva o forno de vidro pello dito tempo de tres annos e do que praticasse e se assentasse tornasse a informar por escrito ao que foy satisfeito bastantemente. E mando (sic) aos vereadores e mais officiaes tomar informação do prejuizo que podia fazer concedersse esta licença se achou que nenhum prejuizo podia vir disso ha cidade por auer muito mato na dita quintãa da Barroca dalva e ser em parte domde se não prouee esta cidade pello que não tinhão duuida a se conceder a, tal licença principalmente sendo agora falescido hum homem que fazia forno de vidro na dita villa dAlcouchete, e vistas as ditas enformações e as mais dilligencias que per meu mandado se fizerão, em que foy ouuida a camara desta cidade de Lixboa e seu consentimento por fazer merce ao dito Aluaro Afonso dAlmada, ey por bem e me praz de lhe dar licença pera que possa fazer na dita sua quintaa da Barroca dalva o dito forno de vidro e isto por tempo de tres annos somente sem embargo da prouisão que sobre iso he passada e está na camara desta cidade de Lixboa, como dito he, com declaração que no dito forno de vidro que fizer não gaste lenha das coutadas de Belmonte e Pancas, mas podera gastar de sua lenha que tem na dita quintaa. Noteficoo assi aos vereadores e procuradores desta cidade de Lixboa e aos procuradores dos mesteres della, que ora são e pello dito tempo forem, e assi aos officiaes da camara da villa dAlcouxete e a todos meus desembargadores, corregedores, ouuidores, juizes, justiças, officiaes e pessoas, e lhes mando que não ponhão duuida nem embargo algum ao dito Aluaro Afonso dAlmada usar de todo o conteudo neste aluara e lhe deixē liuremente fazer o forno de vidro, que per elle lhe concedo que faça pello dito tempo de tres annos e delle usar na forma que lhe bem parecer com a limitação acima declarada, por que sem embargo da dita prouisão o ey assi por bem e cumprão e guardem e fação inteiramente comprir

e guardar este aluara como se nelle contem, o qual se registara nos liuros das camaras desta cidade de Lixboa e da villa dAlcouchete pera se saber o que per elle concedo a Aluaro Afonso dAlmada e este proprio se lhe tornara a elle pera o ter pera sua guarda, o qual me praz que valha Ec. na forma. Pero de Seyxas a fez em Lixboa a xxiij de feuereiro de ¡be lxxxb» (1).

XVI

FERNÃO DE MAGALHÃES TEIXEIRA (1574-1593)

Era casado com Antonia de Almeida, filha de Pero Moreno, e por morte d'este ficou possuindo o forno de vidro que elle fundára no termo da Villa da Feira. D. Sebastião, em 20 de agosto de 1574, lhe prorogou e confirmou os privilegios concedidos ao sogro. Fernão de Magalhães foi partidario da causa de D. Filippe II. Em 1593 era já fallecido, pois a 23 de janeiro d'este anno, el-rei trespassava os privilegios em favor de sua viuva, Antonia de Almeida, que ficara com sete filhos. Na respectiva carta se diz que elle prestára serviços ao monarcha hespanhol, nas alterações do reino, isto é, no letigio á mão armada entre o Prior do Crato e D. Filippe.

O forno fundado por Pero Moreno estava situado no logar do Côvo, onde ainda hoje existe uma fabrica de vidros, que é muito provavelmente a representante d'aquelle primitivo estabelecimento.

«Dom Felipe &. Faço saber aos que esta minha carta virem que Antonia de Almeida, viuua, molher que foi de Fernão de Magalhais Teixeira já falecido, me enuiou dizer per sua pitição que o Senhor Rei Dom Sebastião, meu sobrinho, que Deus tem, fizera merce ao dito seu marido de lhe mandar pasar a carta de priuilegio, de que o trelado é o seguinte: Dom Sebastião &. Faço saber aos que esta minha carta virem que Fernão de Magalhãis, morador no termo da vila da Feira, me enuiou dizer per sua pitição que elle tinha huu forno de vidro alem da cidade de Coimbra, no termo da dita vila, que lhe ficara de Péro Moreno, seu sogro, e assy mato seu proprio com que podia sostentar dous e tres fornos sem perjuizo de pessoa algua e que elRey meu senhor e avô, que santa gloria aja fizera merce ao dito Pero Moreno que em sua vida pessoa allgua não podesse fazer outro forno de vidro des a vila de Coruche ate o estremo de Galliza sob certas pennas e que por o dito Pero Moreno ser falecido e elle sup.te ser casado có hua sua filha, e aver com ela o dito forno e o querer sostentar me pedia lhe concedesse outra tal prouisão em sua vida, como o dito Pero Moreno, seu sogro, tinha, e visto seu requerimento e a dita prouisão que me foi mostrada e bem assy hus autos de deligemcia que sobre o dito caso fez per meu mandado o corregedor da comarca e correição da dita cidade de Coimbra, per que se

(1) Torre do Tombo, Chancellaria de D. Filippe I, Doações, liv. 10, fl. 246.

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